terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Padre Celestino willala na Casa do Pai





O Padre Celestino Wilala, do clero secular do Huambo, faleceu às 2 horas da madrugada do dia 4 de Dezembro do ano 2009, vitima de Insuficiência Cardíaca.



Biografia do Padre Celestino Wilala

Quem é o Padre Celestino Wilala?

Filho de Francisco José e Emilia Paquela, ambos de feliz memória. Nasceu aos 4 dias do mês de Agosto do ano 1935, na Epalanga em Tchipeyo, no Município de Ekunha na província do Huambo, foi Baptizado aos 12 dias do mês de Abril do ano 1936, na Missão Católica do Tchipeyo. Foi ordenado Sacerdote no Seminário de Cristo – Rei, no Huambo, no dia 10 de Julho de 1966, formou-se no Seminário menor do Tchipeyo e no Seminário Maior de Cristo – Rei, Huambo – Angola.



Onde trabalhou?

De 1966 a 1968 – trabalhou na Missão do Tchipey
De 1968 a 1975 foi professor do Seminário de Tchipeyo
De 1974 a 1994 foi Pároco de Nossa Senhora de Fátima no Huambo
De 1975 a 1994 Desempenhou as funções de Chanceler da Cúria Arquidiocesana
De 1975 a 1981 foi professor de Latim do Seminário Maior de Cristo Rei.
De 1987 a 1988 foi capelão do Hospital Central do Huambo
De 1988 a 1991 foi Vigário Paroquial de São Pedro - Huambo
De 1990 a 1991 foi administrador da Paróquia de Calomanda
De 1995 a 1997 foi Secretario da CEAST em Luanda
De 1997 a 2003 Vice Reitor do Centro do Bom Pastor
de 1999 a 2003 volta a leccionar Latim no Seminário Maior de Cristo - Rei
De 1995 ate a sua morte foi Chanceler da Cúria

Ficou dispensado dos seus encargos pastorais, em conformidade com a solicitação por ele mesmo feita, passando somente a desempenhar os encargos de vice-chanceler da Arquidiocese a pertencendo á algumas comissões da Arquidiocese, é conhecido como fundador da Comunidade Shalom, obra que iniciou quando pároco da Fátima. E é ainda reconhecido como co–fundador do Movimento da Cruzada Eucarística na nossa Arquidiocese; participou na tradução do livro Deus Fala aos seus Filhos em Língua Umbundu, só para mencionar algumas das obras que levou a cabo.



Nos últimos dias, mesmo quando já não podia mover muito, assistiu espiritualmente a muita gente e prestou valiosíssimos Serviços Arquidiocesanos e ao Secretariado Arquidiocesano da pastoral.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Que coisa é a fé?

Que coisa é a fé?






Artigo retirado do Blog do Frei João Benedito : muito interessante

http://frjoaobenedito.blogspot.com/



Tem algumas perguntas na vida que são tão complexas que dão a impressão que vale tudo como resposta, ao mesmo tempo que não vale nada. Parece que diante destas perguntas nós não conseguimos verbalizar claramente que coisa é esta sobre a qual queremos discursar.

Veja, se nos perguntarmos quem é Deus, podemos dar milhões de respostas. Na verdade a tentação mais comum será dar aquela resposta que aprendemos no catecismo. Uma resposta útil para educar na fé, mas penso que a maturidade, os anos que passam, deve nos permitir forjar uma resposta experiencial. Mas esta resposta, já por ser experiencial, em geral, não pode ser facilmente verbalizada. Basta pensar que os místicos não conseguem transmitir com palavras a experiência de encontro que tiveram com Deus. Assim, penso que Deus, em certo sentido, só pode ser experienciado e conhecido pelo encontro de fé. Com isto logo se coloca um problema colateral: para que estudar teologia? Ora, a teologia nos coloca diante de um mistério (Deus) e diante de um grande risco: pensarmos em conhecer Deus somente pelos livros, sem uma experiência vital, quando assim o fazemos, e é algo comum, Ele é facilmente instrumentalizado para estar a nosso serviço.

Ao dizer que a fé é o caminho para conhecer Deus, parece que já definimos muita coisa, mas é pura ilusão pensar assim. Se pedirmos a um enamorado que defina a pessoa amada e o sentimento que os liga, ele terá um grande problema, pois ao mesmo tempo que tem certeza sobre o que sente, não conseguirá com palavras dizer tudo o que sente. Isto é o que acontece quando tentamos falar sobre Deus e sobre fé. São entes sobre os quais nós balbuciamos e não falamos.

A fé, não como definição dogmática, mas como encontro de amor, é o eixo que conduz a história da salvação. De certo que ela não tem um valor em si, é uma via para ser percorrida neste vale de lágrimas, e que um dia será substituída pela visão.

O encontro com Deus não é fácil. Quase sempre ele passa pela cruz, pela rejeição, pelo silêncio de Deus, pelo desprezo. Um místico chamado Thomas Merton, vai dizer que se pensarmos que encontramos Deus numa via de facilidade, podemos ter certeza que encontramos tudo, menos Deus. Neste sentido é preocupante que é sempre mais presente a tendência de fazer da espiritualidade uma psicologia ou uma experiência de prazer pessoal, onde se conclui, pelo choro ou outro sentimento, que me encontrei com Deus, mas isto não é verdadeiro.

Por cultura, creio que nós latinos tendemos a confundir fé com sentimento: se nos emocionamos diante do Sagrado ou se vemos alguém se emocionar, logo concluímos que houve uma experiência de fé. Aqui na Europa o risco é da intelectualização da experiência de Deus, se há planejamento e racionalidade, Deus foi encontrado. Contudo, a fé passa por tudo isto, mas a fé não é isto: não é sentimento só, não é razão só, não é só corpo, não se reduz ao espírito e não se condensa na alma. Ainda mais: a fé não é só a devoção, não é o ter dons diversos, não é o falar bem das coisas sagradas e nem sequer é um estado de vocação na Igreja. A fé, como experiência de abandono total em Deus, deve se apropriar de tudo que somos e temos, só a partir daí que vamos deixando-nos morrer, para que Ele viva em nós.

Esta é uma tarefa difícil, pois facilmente a força do nosso eu é tão grande que substituímos Deus por nós mesmos e pensamos que O encontramos. Contudo esta é uma tarefa para toda a vida e a tarefa mais bela da nossa vida: o encontro com o totalmente Outro, que de algum modo já está no que há de mais profundo de nós. Sem este encontro nós não nos tornamos nem humanos nem divinos. Sem este encontro nós não somos pessoas e não nos encontramos com a nossa identidade mais íntima. A vida sem fé é sem sabor, sem sentido e extremamente fugaz.

Um abraço grande. Fiquem com Deus e que Ele lhes abençoe!